Camapet melhora qualidade de vida na Península Itapagipana

outubro 1, 2007

Camapet melhora qualidade de vida na Península Itapagipana

Ações sociais contribuem para preservação ambiental e geração de renda  

Por: Moema Souza

  

Projetos sociais podem parecer sistemas frágeis e situados no lugar comum em corporações ocidentais, mas a verdade é que eles constituem importantes ferramentas de resgate à cidadania, inclusão de jovens no mercado de trabalho, geração de renda e mudança comportamental, tanto para os seus envolvidos, quanto para o restante da sociedade. 

Um exemplo real, que tem dado certo é o Camapet – Cooperativa de Coleta Seletiva, Processamento de Plástico e Proteção Ambiental. Nascido em 1999, a partir de uma ação do CAMA – Centro de Artes e Meio Ambiente, com a  necessidade de entender as questões ambientais e melhorar a qualidade de vida dentro da comunidade de Alagados, trinta jovens e adolescentes, formados em um curso de seis meses, enviaram ao Ceará dois dos seus agentes ambientais para buscarem embasamento teórico sobre cooperativismo, reciclagem de resíduos sólidos, impacto ambiental. Encaminhado para o Governo Estadual, recebeu apoio financeiro durante um ano. 

Até 2003, a sede inicial do Camapet localizava-se em Alagados, onde os moradores jogavam no mar, os  resíduos sólidos. Já em 2004, ficava próxima à Delegacia de Furtos e Roubos e o aluguel custava 1.5 mil reais. Sem condições para continuar pagando o valor cobrado mensalmente os fundadores do Camapet passaram a ocupar o Galpão Leste, na Calçada; local sempre denunciado pela população como abrigo de  assaltantes e usuários de drogas. 

Juntamente à rede Cammpi – Comissão de Articulação e Mobilização dos Moradores da Península de Itapagipe, formada por 48 organizações locais (entre associações, ONG’s, grupos culturais, escolas, creches) e pensando no desenvolvimento da comunidade, o Camapet busca judicialmente, o direito da ocupação do Armazém 1, que faz parte da antiga mallha ferroviária e pertencia à Rede Ferroviária Federal. Atualmente, o armazém está sob o poder do Patrimônio da União e a espera por um comodato, que garanta a ocupação dos galpões, já dura três anos.  

Até 2004 o projeto abrangia somente a área itapagipana da cidade, hoje cobre diversos bairros como, Canela, Barra, Federação, Patamares. A coleta seletiva é feita de porta em porta nos locais mais próximos à sede. Nos outros bairros há um trabalho de remanejamento, onde o Camapet direciona a coleta para outras cooperativas que fazem parte da CCR – Complexo Cooperativo de Reciclagem. Uma rede de cooperativas junto a outras parcerias, as quais visam maior qualificação do trabalho e o fortalecimento de suas comunidades.  

Ações que estimulam 

Segundo Joílson Santos Santana, os resultados do Camapet refletem as atitudes da população local. Os materiais sólidos (vidros, metais, plásticos e papéis), são recolhidos em condomínios, igrejas, escolas, repartições públicas e privadas.”É feito um trabalho de sensibilização através de campanhas educativas. Uma delas, “Eu participo da coleta seletiva”, trouxe mais aliados para a causa. Colocamos tonéis ou sacos de ráfia enormes nestes locais e passamos para pegar o lixo uma vez por semana”, comemora Joílson, presidente do projeto. 

Além desse resultado, o Camapet é responsável ainda por conseguir minimizar os impactos ambientais causados pelo depósito destes resíduos sólidos, por mudar o comportamento e a atitude das comunidades atendidas, gerar renda para os seus cooperativados, aumentar a auto-estima deles e de suas famílias e por exercitar a cidadania nestas pessoas. 

Ações como estas, deveriam ser de responsabilidade da prefeitura de Salvador, como nos exemplos de Belo Horizonte, Diadema, Araxá que remuneram os seus catadores. Entretanto, depois de muito tentar, o Camapet conseguiu uma parceria com a Limpurb; “Eles disponibilizam um caminhão aos sábados para trazer o lixo reciclável coletado na cidade”, afirma Joílson. Compete à prefeitura direcionar o lixo para o seu devido local. O hospitalar para o aterro, o orgânico para a fabricação de biodísel ou para a compostagem, e os recicláveis para as cooperativas, mas tudo vai para o lixão.

Há ainda, o trabalho terceirizado pelas empresas Vega, J.G e Torre; que também, não contribuem neste processo seletivo. “Como já há uma redução de custo para a prefeitura, poderia haver um repasse financeiro para as cooperativas”, lamenta Joílson. 

 Ações efetivas 

Além da preocupação com a preservação ambiental o Camapet engloba  outro aspecto importante para o desenvolvimento social – a inserção de jovens no mercado de trabalho e a geração de renda para famílias carentes. Segundo Joílson Santos essa é uma tentativa de sanar as dificuldades encontradas para inserir jovens no mercado convencional. 

Para ser um cooperativado é preciso ter entre 16 e 25 anos, morar na Península Itapagipana e estar cursando ou já ter concluído o ensino médio. Atualmente há 22 cooperados que transformam o lixo reciclado em artesanato. Os porta-retratos, luminárias e outros artefatos fabricados nas oficinas são vendidos em feiras populares e exposições. “A venda dos produtos paga os custos e o dinheiro que sobra é somado às horas trabalhadas, indo para a mão dos trabalhadores”, afirma Joílson.  

Apesar do início difícil, peculiar a qualquer fase de implantação, o Camapet cumpre o seu trajeto, e em 13 anos de existência realiza ações efetivas em prol de ações sociais válidas a qualquer sociedade que se preocupa com seus cidadãos e com os resultados de suas ações. 

 

O Camapet Biju é o resultado de uma parceria entre a UNEB – Universidade Estadual de Bahia, o CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e o Camapet, cujo resultado é a fabricação de jóias com embalagens pet.

O projeto-piloto nasceu de uma experiência realizada na disciplina Desenvolvimento de Projeto de Produto III, que integra a grade do Curso de Desenho Industrial da UNEB; aliando a teoria de 19 universitários à prática de quatro cooperativados do Camapet.

**Contatos com o  Camapet Biju podem ser feitos através:

Rua Luís Maria – Baixa do Fiscal. Salvador – Bahia – BR.

WWW.camapetbiju.xpg.com.br

camapetbiju@yahoo.com.br

Tel.: 55(71) 3313-5542

  

Alfabetização de jovens e adultos

agosto 28, 2007

Salvador, 28 de outubro de 2007.                                               

 Por: Moema Souza   

Alfabetização tardia para jovens e adultos 

Em Salvador, muitas escolas já trabalham com educação de jovens e adultos, mas o analfabetismo ainda é grande.

 

 

  

Pesquisas realizadas pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia dizem que, atualmente, existem no Brasil 65 milhões de jovens e adultos analfabetos ou que não concluíram o ensino básico. Entretanto, na região Nordeste, o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE de 2000 mostra que o índice de analfabetismo entre adultos e jovens, acima de 15 anos, caiu de 37,5 %  para 24,6 % , entre os anos de 1991 e 2000.

 

 

Parcerias entre o governo, instituições particulares e a sociedade civil já ocorrem visando diminuir as estatísticas que colocam o país no ranking dos primeiros em analfabetismo no mundo. A implantação de projetos e professores especializados garante que pessoas que não puderam estudar em idade regular tenham seus direitos civis reconhecidos pela sociedade.

 Em Salvador, muitas são as escolas públicas que trabalham com a alfabetização de jovens e adultos, em parceria com projetos educacionais, como o EJA – Educação para Jovens e Adultos, TELECURSO 2000 e Pró – Jovem. A Escola Municipal Acelino Maximiniano da Encarnação, localizada no bairro de Sussuarana Velha é um desses exemplos.

 

Com turmas da alfabetização à 4ª série do ensino fundamental, a escola conta com quatro professoras que ensinam no horário noturno. Lília Gomes, professora da 2ª série é um exemplo de colaboradora neste processo. Ela conta que sua turma tem 14 alunos e um bom nível de freqüência. “Aqui nós trabalhamos com o Telecurso 2000 e os alunos gostam muito de minhas aulas. Faço um trabalho bem dinâmico com eles, pois imagino como é difícil uma pessoa que trabalha o dia todo em casa, cuida dos filhos e do marido, ainda ter disposição para enfrentar 3 hs de aula”. Conta Lilia. “Se o meu trabalho for maçante e chato não vou conseguir prender a atenção deles, isso só vai desestimula – los”, avalia ela.

 

A diretora da escola, Lêda Regina Deiró Pereira, conta que a idéia das aulas à noite partiu das próprias professoras que trabalhavam em horários diurnos. “Duas das nossas professoras perceberam que havia um nível de escolaridade muito baixo entre as mães das crianças que estudavam pela manhã e à tarde na escola. Quando aconteciam as reuniões, essas mães não conseguiam expor as necessidades de seus filhos, portanto a compreensão era difícil”, afirma Lêda.

 Estímulo de mestre 

Na turma de alfabetização, onde as aulas são ministradas pela professora Railda Santos, os alunos não têm medo de expor suas dificuldades nas leituras e na resolução de problemas.  “Eu estimulo meus alunos a pensarem nos seus problemas como lições didáticas e no final eles vêem os resultados no dia – a – dia, o processo se inverte e eles acabam colocando em prática o que aprenderam em sala de aula”, assegura Railda.

 

A aluna Maria da conceição neves, de 62 anos, é um exemplo do que afirma a professora. Com problemas na perna esquerda, causados por Trombose, ela diz que, apesar de ter três filhos desempregados, uma filha que trabalha como diarista, quatro vezes por semana, e um neto de dois anos para cuidar, vai às aulas todos os dias e se sente à vontade para falar quando não entende algo na sala de aula.

 

“Eu fico em casa, trabalhando e pensando na hora de ir pra escola, e ainda faço banca à tarde. Fico muito feliz quando pego uma receita ou bula de remédio, passados pelo médico e consigo entender. Antes eu poderia até morrer, se não conseguisse ler os efeitos colaterais da bula”, constata a aluna.

 

 

“Alguns alunos chegam à sala de aula com revistas e jornais que contam os capítulos das novelas e a rotina da cidade; falando sobre o aconteceu naquele dia. É muito gratificante ver como eles se sentem empolgados por descobrirem algo tão novo, que antes não fazia parte de suas vidas”, comemora a professora, que dá aulas nesta escola há dois anos.

 

Em uma outra escola, localizada também, no mesmo bairro – Escola Municipal Nova Sussuarana – as aulas à noite começam às 19 h e terminam às 21 h. A diretora da escola Nilzete Luz da Silva Santos afirma que as práticas pedagógicas, usadas com os alunos, faz a diferença nesta unidade escolar.

 Inovação, tradição e resultados 

Alguns métodos habituais ainda são usados, porque eles dão base ao aluno que está aprendendo a ler e escrever; é o caso da cartilha, da caligrafia, da tabuada. Entretanto, outras práticas mais dinâmicas também são usadas nesta escola. “Sempre que há condições levamos os alunos para tarefas extracurriculares, no sábado, fora da sala de aula eles terão condições de perceber como aplicar o que aprenderam em seu cotidiano”, afirma Nilzete.

 

É importante avaliar as práticas curriculares adotadas pelos professores e pelas escolas, em conjunto com os resultados obtidos no processo de educação dos alunos.

O objetivo da alfabetização para jovens e adultos fora de idade escolar, são mudanças diretas na vida desses estudantes.

 

“Adoro vir pra escola e ajudar a professora na hora da leitura. Antes não sabia fazer um o com um copo, agora já ensino meu filho de 7 anos, que é 1ª série, a fazer lição de casa”, conta alegre, a aluna Jéssica lopes de Melo, que faz a 3ª série do ensino fundamental, nesta escola.

    

Cidadao Kane

agosto 28, 2007

27 de agosto de 2007

Moema Souza*

 

Produzido, dirigido e atuado por Orson Welles, Cidadão Kane, filme de 1941 já retrata, desde aquela época, a relação de poder existente entre a profissão jornalística e aqueles que a exercem.

 

O filme mostra como um homem rico e que sempre teve o que desejou, brinca com o ato de informar à sociedade e com a manipulação da opinião pública, a qual ele achava que podia “moldar” ou “ditar”. Charles Forster Kane usa o seu jornal – The Inquirer – para controlar, de maneira positiva ou negativa, a vida de quem bem entendesse.

 

Vivido Por Orson Welles, Charles Kane é uma comparação à vida de William Randolph Hearst; um magnata da comunicação, que, também, consolidou sua imensa fortuna, inventando, caluniando, manipulando e distorcendo informações e notícias, através de seu jornal diário “The Examiner”.

 

Seguindo a linha, do que conhecemos hoje, por “imprensa marrom”, Charles Kane dizia escrever para os pobres, imigrantes e trabalhadores; ele atacava a elite e tornou – se odiado por ela. “Em nome do povo”, tornou – se um extremista. Seu jornalismo era, totalmente, construído – no sentido mais literal da palavra – para a massa, através dos moldes sensacionalistas.

 

O diretor Orson Welles, mostra como, em uma tentativa frustrada de ser governador do Estado, Charles Kane, começa a definhar, com o crack da Bolsa e vê o seu império sendo destruído. Inúmeros jornais, de sua cadeia de empresas, são fechados; o que, quase, o levou à falência.

 

Kane era, também, colecionador de obras de arte e, como muitos ricos excêntricos, não poupou sua fortuna para construir um castelo, que presenteou à sua amante, a cantora de óperas Susan Alexander, 28 anos mais nova do que ele.

 

Em meio a uma vida de frustrações, invenções e alegrias, Kane queria fazer de Susan uma mulher amada por toda a sociedade e nessa tentativa fracassada ela o deixou para que ele morresse sozinho em seu castelo de sonhos.

 

Um filme instigante e questionador, cidadão Kane, antigo em sua cronologia, é uma ótima opção para estudantes de jornalismo e profissionais atuantes na área, porque é contemporâneo em seu debate ético; que se faz presente até hoje, no próprio jornalismo e em seus meios de produção.

 

 

 



* Estudante de Jornalismo, 7 Semestre, Faculdade 2 de Julho.


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