Camapet melhora qualidade de vida na Península Itapagipana
Ações sociais contribuem para preservação ambiental e geração de renda
Por: Moema Souza
Projetos sociais podem parecer sistemas frágeis e situados no lugar comum em corporações ocidentais, mas a verdade é que eles constituem importantes ferramentas de resgate à cidadania, inclusão de jovens no mercado de trabalho, geração de renda e mudança comportamental, tanto para os seus envolvidos, quanto para o restante da sociedade.
Um exemplo real, que tem dado certo é o Camapet – Cooperativa de Coleta Seletiva, Processamento de Plástico e Proteção Ambiental. Nascido em 1999, a partir de uma ação do CAMA – Centro de Artes e Meio Ambiente, com a necessidade de entender as questões ambientais e melhorar a qualidade de vida dentro da comunidade de Alagados, trinta jovens e adolescentes, formados em um curso de seis meses, enviaram ao Ceará dois dos seus agentes ambientais para buscarem embasamento teórico sobre cooperativismo, reciclagem de resíduos sólidos, impacto ambiental. Encaminhado para o Governo Estadual, recebeu apoio financeiro durante um ano.
Até 2003, a sede inicial do Camapet localizava-se em Alagados, onde os moradores jogavam no mar, os resíduos sólidos. Já em 2004, ficava próxima à Delegacia de Furtos e Roubos e o aluguel custava 1.5 mil reais. Sem condições para continuar pagando o valor cobrado mensalmente os fundadores do Camapet passaram a ocupar o Galpão Leste, na Calçada; local sempre denunciado pela população como abrigo de assaltantes e usuários de drogas.
Juntamente à rede Cammpi – Comissão de Articulação e Mobilização dos Moradores da Península de Itapagipe, formada por 48 organizações locais (entre associações, ONG’s, grupos culturais, escolas, creches) e pensando no desenvolvimento da comunidade, o Camapet busca judicialmente, o direito da ocupação do Armazém 1, que faz parte da antiga mallha ferroviária e pertencia à Rede Ferroviária Federal. Atualmente, o armazém está sob o poder do Patrimônio da União e a espera por um comodato, que garanta a ocupação dos galpões, já dura três anos.
Até 2004 o projeto abrangia somente a área itapagipana da cidade, hoje cobre diversos bairros como, Canela, Barra, Federação, Patamares. A coleta seletiva é feita de porta em porta nos locais mais próximos à sede. Nos outros bairros há um trabalho de remanejamento, onde o Camapet direciona a coleta para outras cooperativas que fazem parte da CCR – Complexo Cooperativo de Reciclagem. Uma rede de cooperativas junto a outras parcerias, as quais visam maior qualificação do trabalho e o fortalecimento de suas comunidades.
Ações que estimulam
Segundo Joílson Santos Santana, os resultados do Camapet refletem as atitudes da população local. Os materiais sólidos (vidros, metais, plásticos e papéis), são recolhidos em condomínios, igrejas, escolas, repartições públicas e privadas.”É feito um trabalho de sensibilização através de campanhas educativas. Uma delas, “Eu participo da coleta seletiva”, trouxe mais aliados para a causa. Colocamos tonéis ou sacos de ráfia enormes nestes locais e passamos para pegar o lixo uma vez por semana”, comemora Joílson, presidente do projeto.
Além desse resultado, o Camapet é responsável ainda por conseguir minimizar os impactos ambientais causados pelo depósito destes resíduos sólidos, por mudar o comportamento e a atitude das comunidades atendidas, gerar renda para os seus cooperativados, aumentar a auto-estima deles e de suas famílias e por exercitar a cidadania nestas pessoas.
Ações como estas, deveriam ser de responsabilidade da prefeitura de Salvador, como nos exemplos de Belo Horizonte, Diadema, Araxá que remuneram os seus catadores. Entretanto, depois de muito tentar, o Camapet conseguiu uma parceria com a Limpurb; “Eles disponibilizam um caminhão aos sábados para trazer o lixo reciclável coletado na cidade”, afirma Joílson. Compete à prefeitura direcionar o lixo para o seu devido local. O hospitalar para o aterro, o orgânico para a fabricação de biodísel ou para a compostagem, e os recicláveis para as cooperativas, mas tudo vai para o lixão.
Há ainda, o trabalho terceirizado pelas empresas Vega, J.G e Torre; que também, não contribuem neste processo seletivo. “Como já há uma redução de custo para a prefeitura, poderia haver um repasse financeiro para as cooperativas”, lamenta Joílson.
Ações efetivas
Além da preocupação com a preservação ambiental o Camapet engloba outro aspecto importante para o desenvolvimento social – a inserção de jovens no mercado de trabalho e a geração de renda para famílias carentes. Segundo Joílson Santos essa é uma tentativa de sanar as dificuldades encontradas para inserir jovens no mercado convencional.
Para ser um cooperativado é preciso ter entre 16 e 25 anos, morar na Península Itapagipana e estar cursando ou já ter concluído o ensino médio. Atualmente há 22 cooperados que transformam o lixo reciclado em artesanato. Os porta-retratos, luminárias e outros artefatos fabricados nas oficinas são vendidos em feiras populares e exposições. “A venda dos produtos paga os custos e o dinheiro que sobra é somado às horas trabalhadas, indo para a mão dos trabalhadores”, afirma Joílson.
Apesar do início difícil, peculiar a qualquer fase de implantação, o Camapet cumpre o seu trajeto, e em 13 anos de existência realiza ações efetivas em prol de ações sociais válidas a qualquer sociedade que se preocupa com seus cidadãos e com os resultados de suas ações.
O Camapet Biju é o resultado de uma parceria entre a UNEB – Universidade Estadual de Bahia, o CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e o Camapet, cujo resultado é a fabricação de jóias com embalagens pet.
O projeto-piloto nasceu de uma experiência realizada na disciplina Desenvolvimento de Projeto de Produto III, que integra a grade do Curso de Desenho Industrial da UNEB; aliando a teoria de 19 universitários à prática de quatro cooperativados do Camapet.
**Contatos com o Camapet Biju podem ser feitos através:
Rua Luís Maria – Baixa do Fiscal. Salvador – Bahia – BR.
Tel.: 55(71) 3313-5542
